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fevereiro 02, 2010

Raquel de Queiroz (Autora de destaque na ficção social nordestina)

CORUJA Raquel de Queiroz Bem, é o que sou. Não a propriamente dita, mas em linguagem de radioamador. Pois coruja é o radioamador ouvinte, o que não tem transmissor e liga o receptor em casa, para ficar ouvindo as conversas dos outros. Divertimento barato, aliás. Não precisa sequer ter-se um receptor de alta categoria: basta um pequeno transistor desses japoneses, de contrabando, acrescentado de uma antena de nove metros de fio de aço de pescador. O importante, além disso, é que o transistor tenha faixa de onda de 40 metros, que é por onde se manifestam os radioamadores da rede local. O mais é constância e paciência. E penetra-se num mundo de que não suspeita o simples cidadão, acostumado a escutar apenas as emissões comerciais de TV e "broadcasting"; pululando a nosso redor, insuspeita, mas permanente e ativa, funciona em volta do mundo todo uma imensa rede de estações de rádio, manipuladas por radioamadores que estabelecem pela Terra inteira uma cadeia de comunicações, muito mais eficiente que os serviços públicos, oficiais ou particulares. A boa vontade é o seu lema, a solidariedade humana a sua obrigação. Quem viu aquele filme francês "Si tous les gars du monde", pode fazer uma idéia do fenômeno . E não se trata de conversa de fita de cinema, não; é assim mesmo daquele jeito que eles se comportam, da Noruega ao Congo, de Ver-o-Pêso à Vigário Geral. Um radioamador é assim uma espécie de cruza entre escoteiro e "santo" de sessão espírita; do escoteiro tem a mania de bem servir, de não deixar passar um dia sem realizar um ato de bondade, muitos atos de bondade. Do espírito tem a faculdade de baixar no terreiro da gente a uma simples evocação, e ainda por cima servir de "cavalo" para qualquer mensagem de importância grande ou pequena, que você queira transmitir ou receber. Pois para que a mensagem seja transmitida, não precisa sequer que o interessado escute o apelo de quem chamou: há sempre um colega serviçal que escuta, toma nota e passa adiante, feito atleta com o fogo simbólico. Os radioamadores que se encontram diariamente a uma hora certa, em grupo, formam o que se chama na gíria deles uma "rodada" . Pode ser das cinco às sete da manhã, de uma às três da tarde, de dez à meia-noite, a rodada não deixa de funcionar, nunca. É só procurá-la na freqüência habitual e lá estarão eles, com os companheiros do éter, a "assinar o ponto", a bater papo, a comentar as marcas, as excelências e os defeitos técnicos das respectivas transmissões, enchendo lingüiça até que apareça o que eles consideram "serviço sério": recados de urgência, mensagens, comunicados de falecimento, de doença, de nascimento, de viagens, de mudanças; promoção de encontros de famílias ou amigos separados; um de Pará de Minas outro de Barra do Corda, trocando comunicados afetuosos ou urgentes, que "Mamãe foi operada. e esta passando bem", que "a festa das bodas de ouro é terça-feira, sem falta, veja se vem mesmo!" E o dono da estação de rádio é o médio. Num país onde os telégrafos tão pouco funcionam o os correios ainda menos, calcule-se o valor dessa comunicação. O que uma troca de telegramas pediria, no mínimo, alguns dias - e isso em lugar onde haja telégrafo - o radioamador resolve num quarto de hora. Creio que a rodada mais famosa do Nordeste é o chamado o "Cafezinho da Manhã", que funciona diariamente das cinco e meia às sete e engloba uma rede de radio- amadores que vai da Bahia ao Maranhão, com incursões por Minas, Pará ou até onde for a onda de 40 metros. Seu criador e animador é o "Caboclo Xavante" das tabas ao "Queixeramobim", que em geral dirige a rodada, dá a palavra a quem de direito, mantém a disciplina da reunião, faz, como eles dizem, "a roda rodar". É homem extremamente cortês, que pode estar apressadíssimo para "dar o pirulito", mas não dispensa os cumprimentos à Labre, à escuta oficial, aos colegas, de um em um, incluindo os "familiares", sem esquecer a "rede regional de corujas", da qual faço parte .Mas, sendo assim disciplinador e comandante da rodada, responsável peIo seu tom permanente de cortesia e boa camaradagem , deixa de ser o seu tanto galhofeiro, e está sempre pronto a zombar das conhecidas franqueza ou estrepolias de uns e outros, da submissão dos "barrigas brancas ", das indiscrições de algum "cavalo de cão", e insinuar maliciosamente às esposas na "coruja" as possíveis peraltagem dos maridos em viagem ... Nunca o vi em carne e ossos, mas é pessoa que trago no coração; conheço-lhe a voz entre dezenas, é realmente espírito familiar e benéfico, desses que, nos terreiros, são chamados de "guias ". O outro comandante do cafezinho o é mesmo mandante do seu direito, alta patente Militar e importante função oficial; mas para nós, é, simplesmente, "o Chaguinha ". Esse conheço de longe, é um velho amigo dos tempos em que a gente pensava que podia consertar o mundo com discursos e boletins, um dos mais eficientes e prestativos da rodada . Perde horas do seu tempo precioso importante para um recado, tranqüilizar uma mãe aflita, conseguir um avião que traga um enfermo de algum lugarejo distante, obter a vacina. Dantes era mestre em broncas, especialmente contra os mal educados que invadem a freqüência, abafando a voz dos colegas e atrapalhando as rodadas: agora, não sei o que he deu, está muito manso. Os anos de cidade e as funções oficiais não lhe alteraram a fala típica de sertanejo e a sua sertaneja paixão por saber notícias de chuva. Ah, se soldado pode ser flor, está, ali, uma. Outros membros do cafezinho são da mais variada procedência, padre e juiz, dona-de-casa, general, moço rico, pequeno funcionário, comerciante, fazendeiro, até bispo! Tem de tudo ali, reunidos todos numa só fraternidade, tratando-se por você, ninguém querendo ser melhor do que os demais. Com o truque nemonico, usam uma espécie de pseudônimo tirado das iniciais dos seus prefixos: é o "velho fazendeiro", "cabloco serrano "(não falei que eles parecem gente de terreiro? Até essa mania de se chamarem "caboclos". , ). Um mais lírico, diz-se "Viva o nosso lar ". Outro se chama "xadrez-lamparina". E tem o Zé Calado", e um meio maldizente a quem os colegas apelidam de "língua danada" . Usa, além disso, uma gíria particular, em que expressões técnicas e jargão familiar se misturam. Tratam-se entre si por macanudos. Um recado é torpedo; automóvel é pé de borracha, mulher é cristal; dar sinal no meio da conversa dos outros é dar uma bicorada; falar ao microfone é modular, e ter estação forte que abafa todo o mundo é ser tubarão etc. etc. Mas parece que, em conversa de radioamador, é proibido falar em negócios, em política e em dinheiro, regra a que eles obedecem com fidelidade. Exceção feita em casos e que aludir a dinheiro é indispensável - preço de material de rádio, de premente necessidade de alguém distante que lembra a mesada ao pai ou o numerário para uma emergência; eles, então, usam metáforas mais ou menos transparentes, como "quilociclagem", "combustível", "manteiga". E assim servem e alegrar o mundo, "fazendo a roda rodar", benza-os Deus.

novembro 05, 2009

Dia 05 de novembro dia do Radioamadorismo Brasileiro

A história do Radioamadorismo no mundo é repleta de acontecimentos tão relevantes para a humanidade, que até nossos dias são contados, lembrados e relembrados pelo fato de que nada foi pedido, tudo foi, está e será usufruindo por nos habitantes deste planeta. Vários cientistas de renome como André Marie Ampère, Galvani, Alessandro Volta, Samuel Morse, Hertz, Padre Roberto Landell De Moura, Marconi, e muitos outros participaram deste rol de boas novas. Por exemplo: 1 - Samuel Morse, em 1837, inventou o telégrafo e Código Morse; 2 - Marconi realizou a primeira transmissão de rádio no ano de l895, data em que, na realidade, teve início o Radioamadorismo; 3 - Hertz foi o Físico que em 1888 demonstrou a propagação das ondas eletromagnéticas no espaço, em linha reta, meio este, que usamos até hoje nas nossas transmissões; 4 - Marconi, no dia 5 de novembro de 1901 realizou, pela primeira vez, comunicação entre a Inglaterra e Canadá com sinais de rádio; 5 - Landell de Moura conseguiu, entre 1893/4 introduzir a modulação ao rádio, isto é, transmitir voz (sem fio), pois só se transmitiam, até então, sinais telegráficos. Suas experiências se deram em São Paulo, na Av. Paulista de onde conseguiu contactar o Alto de Santana, numa distância de cerca de 8Km, na presença de autoridades Governamentais e Estrangeiras, o que constituiu um marco histórico no setor da telecomunicação. Landell patenteou seu invento não só no Brasil, como nos EUA. O registro nos EE. UU teve sua validade vencida em 1921, o qual não foi renovado. Tal acontecimento favoreceu Marconi que iniciou seus estudos a respeito, um ano após, 1895, ficando com toda honra e glória do evento e deixando Landell de Moura, perante a História Oficial Internacional, no esquecimento. Entretanto, nós brasileiros, continuamos a reverenciá-lo reconhecendo o seu valioso trabalho. A prática do Radioamadorismo é um dos mais fascinantes, versáteis e instrutivos hobbies científicos. Alem disto, é sabido o papel humanístico levado a efeito em passado recente e mesmo agora, no que tange a casos de emergência como epidemias, catástrofes em que os Radioamadores com habilidade e até com sacrifício pessoal, procuram servir as suas comunidades. Em conseqüência disto, o Governo Brasileiro através do Decreto Lei n.º 5629 de 29 de outubro de 1943, considera os Radioamadores reservistas do Exército e da Aeronáutica, reserva especial das Forças Armadas, dando-lhes algumas regalias e considerando, ainda, a sua entidade, a LABRE, como Associação Civil de Utilidade Pública. Por definição, o Radioamador é a pessoa que utiliza sem finalidade lucrativa, as ondas eletromagnéticas dentro do "espectro eletromagnético" delimitado por convenções internacionais. Este espectro eletromagnético compreende uma gama de comprimento de ondas que variam desde as ondas de rádio até as ondas de radiação ionizantes (raios x e gama). Estas ondas se propagam no espaço a 300.000 Km por segundo. Quanto menor o seu comprimento, maior é o seu poder de penetração, ou seja, mais facilmente alcança maiores distâncias. O Radioamador Classe A, por exemplo, pode utilizar todas as faixas permitidas pela IARU (União Internacional de Radioamadores) que hoje são: HF: 160, 80, 75, 40, 20, 17, 15, 12, 11 e 6 metros de comprimento de onda. VHF: 2 e l,35 metros. UHF: 70, 33 e 23 centímetros. Estas radiações são passíveis de medida. É possível calcular a Velocidade, o Comprimento de onda e a Freqüência, através das seguintes fórmulas: V = F X C; C = V / F E F = V / C. Dia 5 de novembro é o dia do Radioamador ? Sim. O decreto n.º 16657 assinado pelo Presidente Arthur Bernardes no dia 5 de novembro de 1914 e publicado no Diário Oficial da União, regulamentou as estações de Radioamadores. O reconhecimento como dia Oficial do Radioamador Brasileiro foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Federal da LABRE, como preito de gratidão ao então Presidente Bernardes. É importante lembrar, também, que dia 18 de abril é o Dia Internacional do Radioamador, em homenagem à Fundação da IARU, na França no ano de 1925. Assim: Dia 5 de novembro é o dia do Radioamador Brasileiro Dia 18 de abril é o dia Internacional do Radioamador

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